terça-feira, 18 de agosto de 2026
quinta-feira, 16 de julho de 2026
quinta-feira, 2 de julho de 2026
quinta-feira, 25 de junho de 2026
domingo, 21 de junho de 2026
precavida
sprecavita
para o Geraldo
era preciso cuidado com as palavras
ensaiadas e questionadas repetidamente
antes de enfim tomarem forma e vibração
o limiar dos lábios território sagrado
separado pelo
vidro
(da mesma delicadeza cortante
da mesma devastação potencial
da mesma transparência — a diferença
residindo no calor da tua pele)
então era preciso muito cuidado
medir as palavras para que não se me escapassem
para que não me revelassem a boca trêmula
os olhos facilmente marejados
a inquietude silenciosa
mas era preciso muito muito cuidado
sobretudo
com a gaiola de vidro
da precaução
segunda-feira, 15 de junho de 2026
sábado, 13 de junho de 2026
segunda-feira, 4 de maio de 2026
não sei mais o que deixa
de ser vida
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
para minha mãe
a menina deita e a abraça
feito fosse boneca
ou travesseiro
matéria de pano
onde secar as lágrimas
que vêm
apesar
da chuva já ter regado suas plantas
aos baldes
e aperta quase dormindo
sem saber o que é boneca
o que é filha de pano
o que é que lhe tem passado
só que é preciso encontrar algum conforto
um corpo quente que já foi seu
forjado em seu ventre forte
e ali se encontrar tecida
em seda pura
: o inverso
ali fazer casulo
e descansar as asas
que voar é privilégio
para dias ao sol
no próximo, certamente,
sairá a percorrer
campos e montanhas
o pano em mãos
para caso sangrem
os joelhos ralados de menina
cheia de vida
por ora, deita
teu peso de borboleta em roseira
e me abraça
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
na academia
a frieza da palavra
me toma como
uma lâmina
de ferro gelado
parece vidro
porque é frágil
mas me permeia
como as árvores
o vento
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
domingo, 16 de novembro de 2025
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
quinta-feira, 23 de outubro de 2025
para a minha mãe, paciente oncológica
é preciso o instrumento certo.
as mãos sem luva mesmo
com atenção extrema
tomam o ancinho
o podador, a serra...
me pergunto com que delicadeza
posso abrir-te a barriga
para começar a trabalhar
no teu jardim secreto
e tirar tudo o que
explode
a vida;
com que delicadeza posso
entrar-te outra vez no ventre
encontrar as raízes e
deixar-te ali somente
as tuas queridas rosas,
extirpar-lhes as formigas famintas;
deixar-te ali somente
o perfume do dia ameno
a luz dos vagalumes
e o canto de uma ave rara;
com que delicadeza posso
deixar-te semente
para que brotes infinita
em vida?
a silhueta da sua barriga se desenha e uma cidade desaparece do mapa litorâneo as suas células são criativas e se reproduzem enquanto a geog...
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se eu fosse confeiteira te faria um bolo de milho bem amarelinho como as tuas rosas mais cheirosas um bolo como uma vida inteira por cima de...