pesam em mim, feito pedras, os ombros
rígidos, plumosos, escombros
de uma imensurável leveza
que, com tanto pesar, se preza
e se leva, ainda mais leve
feito impuro floco de neve
muito fúnebre e decadente,
tanto incômodo, impotente,
- uma desgraça realmente -
quanto dele já se esperava;
e se leva. nunca mais leve.
faz-se, ainda, uma ressalva,
que é de pedra e sal a estátua
(tão alva e pura, mas fátua).
monólogo fugaz
de nossas fugas
(crescem-me rugas).
pobre de mim -
pulmões e rins
- pobre de mim
a cada pranto
- o meu canto! -
estou um tanto
mais miúda.
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segunda-feira, 9 de abril de 2018
sábado, 24 de fevereiro de 2018
febre
a pele de galinha que não se aquece
nem com o vapor do banheiro quente,
as tetas rígidas que não apontam direção
nenhuma além do fim incerto, inerte.
a água morna que percorre o corpo:
um mar de efervescência malemolente
as olheiras mais fundas que nunca,
não reconhecem os olhos vermelhos
e lacrimejantes, os cílios grudados,
os dedos enrugados de tanta água:
evapora nalguma indecência
já distante na memória oca:
os dias de calor d'outro corpo;
não penetra estas vértebras
amor algum, calor algum
que não seja esse mal-estar
contínuo, longínquo, de setembro
a junho, um jejum infinito
de felicidade: é final de tarde
e a chuva insiste que cai
dos olhos marejados.
nem com o vapor do banheiro quente,
as tetas rígidas que não apontam direção
nenhuma além do fim incerto, inerte.
a água morna que percorre o corpo:
um mar de efervescência malemolente
as olheiras mais fundas que nunca,
não reconhecem os olhos vermelhos
e lacrimejantes, os cílios grudados,
os dedos enrugados de tanta água:
evapora nalguma indecência
já distante na memória oca:
os dias de calor d'outro corpo;
não penetra estas vértebras
amor algum, calor algum
que não seja esse mal-estar
contínuo, longínquo, de setembro
a junho, um jejum infinito
de felicidade: é final de tarde
e a chuva insiste que cai
dos olhos marejados.
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