para o Geraldo
movimento da areia e das ondas do mar,
do vento trazendo e levando resquícios,
pisam de repente os pés de uma montanha
e levo um tempo até olhar pra cima e ver:
me detenho um átimo na grama entre meus dedos
e no cheiro de orvalho que emanas
como uma infância
aos teus pés há uma árvore frutífera
carregada
que me assombra
e não distinguo mais a minha forma da tua
finalmente aquiesço
respiro fundo o perfume que atravessa o tempo
e olho-te montanha,
teu desenho de vulcão
quieto
teus olhos
de abismo que de volta me olham
a terra não treme
e aos teus pés me deito