quinta-feira, 16 de julho de 2026

para o Geraldo

meus pés, acostumados ao
movimento da areia e das ondas do mar, 
do vento trazendo e levando resquícios, 
pisam de repente os pés de uma montanha
e levo um tempo até olhar pra cima e ver:
me detenho um átimo na grama entre meus dedos
e no cheiro de orvalho que emanas
como uma infância
aos teus pés há uma árvore frutífera 
carregada 
que me assombra
e não distinguo mais a minha forma da tua

finalmente aquiesço

respiro fundo o perfume que atravessa o tempo
e olho-te montanha, 
teu desenho de vulcão
                                   quieto
teus olhos 
                de abismo que de volta me olham

a terra não treme
e aos teus pés me deito

quinta-feira, 2 de julho de 2026

começa assim
um objeto singelo
um gesto incerto
— a primeira gota
de uma tempestade
à beira mar

para o Geraldo meus pés, acostumados ao movimento da areia e das ondas do mar,  do vento trazendo e levando resquícios,  pisam de repente os...