uns não-sei-o-quês
escrevo pouco, mas quase não calo a boca
domingo, 22 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
para minha mãe
a menina deita e a abraça
feito fosse boneca
ou travesseiro
matéria de pano
onde secar as lágrimas
que vêm
apesar
da chuva já ter regado suas plantas
aos baldes
e aperta quase dormindo
sem saber o que é boneca
o que é filha de pano
o que é que lhe tem passado
só que é preciso encontrar algum conforto
um corpo quente que já foi seu
forjado em seu ventre forte
e ali se encontrar tecida
em seda pura
: o inverso
ali fazer casulo
e descansar as asas
que voar é privilégio
para dias ao sol
no próximo, certamente,
sairá a percorrer
campos e montanhas
o pano em mãos
para caso sangrem
os joelhos ralados de menina
cheia de vida
por ora, deita
teu peso de borboleta em roseira
e me abraça
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
na academia
a frieza da palavra
me toma como
uma lâmina
de ferro gelado
parece vidro
porque é frágil
mas me permeia
como as árvores
o vento
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
domingo, 16 de novembro de 2025
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
quinta-feira, 23 de outubro de 2025
para a minha mãe, paciente oncológica
é preciso o instrumento certo.
as mãos sem luva mesmo
com atenção extrema
tomam o ancinho
o podador, a serra...
me pergunto com que delicadeza
posso abrir-te a barriga
para começar a trabalhar
no teu jardim secreto
e tirar tudo o que
explode
a vida;
com que delicadeza posso
entrar-te outra vez no ventre
encontrar as raízes e
deixar-te ali somente
as tuas queridas rosas,
extirpar-lhes as formigas famintas;
deixar-te ali somente
o perfume do dia ameno
a luz dos vagalumes
e o canto de uma ave rara;
com que delicadeza posso
deixar-te semente
para que brotes infinita
em vida?
para alix procuro a palavra do contorno do teu pescoço reviro minhas gavetas, meus livros, os dicionários ouço de novo meus discos preferido...
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ora thiago falando de frankenstein entro nos teus lábios observo cautelosa a flor que se abre entre meus dedos toco a carne da tua boca des...