teu nome é um titubeio
no encontro dos meus lábios
mal se abrem e o sal
do mar os molha
uns não-sei-o-quês
escrevo pouco, mas quase não calo a boca
quinta-feira, 25 de junho de 2026
domingo, 21 de junho de 2026
precavida
sprecavita
para o Geraldo
era preciso cuidado com as palavras
ensaiadas e questionadas repetidamente
antes de enfim tomarem forma e vibração
o limiar dos lábios território sagrado
separado pelo
vidro
(da mesma delicadeza cortante
da mesma devastação potencial
da mesma transparência — a diferença
residindo no calor da tua pele)
então era preciso muito cuidado
medir as palavras para que não se me escapassem
para que não me revelassem a boca trêmula
os olhos facilmente marejados
a inquietude silenciosa
mas era preciso muito muito cuidado
sobretudo
com a gaiola de vidro
da precaução
segunda-feira, 15 de junho de 2026
sábado, 13 de junho de 2026
segunda-feira, 4 de maio de 2026
não sei mais o que deixa
de ser vida
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
para minha mãe
a menina deita e a abraça
feito fosse boneca
ou travesseiro
matéria de pano
onde secar as lágrimas
que vêm
apesar
da chuva já ter regado suas plantas
aos baldes
e aperta quase dormindo
sem saber o que é boneca
o que é filha de pano
o que é que lhe tem passado
só que é preciso encontrar algum conforto
um corpo quente que já foi seu
forjado em seu ventre forte
e ali se encontrar tecida
em seda pura
: o inverso
ali fazer casulo
e descansar as asas
que voar é privilégio
para dias ao sol
no próximo, certamente,
sairá a percorrer
campos e montanhas
o pano em mãos
para caso sangrem
os joelhos ralados de menina
cheia de vida
por ora, deita
teu peso de borboleta em roseira
e me abraça
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
na academia
a frieza da palavra
me toma como
uma lâmina
de ferro gelado
parece vidro
porque é frágil
mas me permeia
como as árvores
o vento
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
teu nome é um titubeio no encontro dos meus lábios mal se abrem e o sal do mar os molha
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ora thiago falando de frankenstein entro nos teus lábios observo cautelosa a flor que se abre entre meus dedos toco a carne da tua boca des...