para minha mãe
a menina deita e a abraça
feito fosse boneca
ou travesseiro
matéria de pano
onde secar as lágrimas
que vêm
apesar
da chuva já ter regado suas plantas
aos baldes
e aperta quase dormindo
sem saber o que é boneca
o que é filha de pano
o que é que lhe tem passado
só que é preciso encontrar algum conforto
um corpo quente que já foi seu
forjado em seu ventre forte
e ali se encontrar tecida
em seda pura
: o inverso
ali fazer casulo
e descansar as asas
que voar é privilégio
para dias ao sol
no próximo, certamente,
sairá a percorrer
campos e montanhas
o pano em mãos
para caso sangrem
os joelhos ralados de menina
cheia de vida
por ora, deita
teu peso de borboleta em roseira
e me abraça
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