na minha cidade há uma rua
em que os carros param e
parecem à beira do abismo
esperam o semáforo
e dali pra frente é só pra baixo
rumo ao horizonte
entram nas nuvens
ali caminho
terça-feira, 16 de abril de 2024
segunda-feira, 8 de abril de 2024
terça-feira, 2 de abril de 2024
quinta-feira, 28 de março de 2024
um poema
é como
uma espinha
a vontade é
de arrancá-la
espremê-la
entre as unhas
imundas
apertá-la
com os dedos
oleosos
e quanto mais
se tenta
pior ele fica
um poema
sujo
como uma espinha
há que se deixar
secar e morrer
de desistências
antinaturais
quinta-feira, 14 de março de 2024
sábado, 9 de março de 2024
corpo a corpo
tomar-te seria
totalmente vulgar
tenho a tua distância
trato de dar tempo
ao ritual do toque
encosto na tua mão
entendo que não é minha
ainda e aos poucos me revolto
me revolvo ao teu redor
teus olhos sofisticado
redemoinho de desejo
te tomo inteiro sob meus braços
te derrubo e te cubro
com o meu corpo seminu
e quente
nossos dedos se entranham
agarro a tua pele macia
sinto os teus músculos tensionados
todo o teu corpo
duro
cheiro o teu suor e o teu prazer
me debruço sobre ti enfim
te conquisto
minha entrega
sexta-feira, 22 de dezembro de 2023
sexta-feira, 8 de dezembro de 2023
"não é o fim do mundo,
só do universo"
para A. em ocasião da sua partida
daqui a alguns trilhões de anos, quando o tempo não fizer mais sentido e a última anã branca sozinha estiver estabelecendo tudo o que ainda não conhecemos, nada disso vai importar mais.
mas enquanto sei a diferença temporal entre uma onda e uma montanha, trato como sendo da maior importância.
precisamente pela raridade de reencontrar um amor e vivê-lo em sua pureza.
por desatar nós e finalmente
saber dizer que te amo.
contigo longe, ainda vou comer na nossa pizzaria e a pizza continuará saborosa. saborosíssima. moradores de rua em busca de um trocado pra pinga e pra droga virão falar comigo diretamente. e eu vou pensar em ti, esboçando um sorrisinho cheio de saudade.
tu, também, vais ter a audácia de continuar rindo gostoso. vais te deitar em outras camas e amar outros gatos.
a lembrança da tua pele e da tua risada serão raios do teu sol nos meus dias chuvosos. e eu vou ter que te buscar na memória, lembrar de como rio contigo e da calmaria do teu abraço, onde me torno fluida — rio, mar, lágrima, suor --
no auge do teu atrevimento, vais levar de mim uns escombros de amor.
e tudo vai passar, erodindo a memória.
mas daqui, vendo a onda se formar gigante, meu desejo é que ela não quebre nunca. que se torne montanha. que por alguns trilhões de anos a gente fique nessa beira de praia sentindo o sal na pele. porque, quando aquela última estrela renovar o universo, algo de nós ainda vai estar lá. pronto pra rebentar.
para o Geraldo meus pés acostumados ao movimento da areia e das ondas do mar do vento trazendo e levando resquícios pisam de repente os pés ...
-
ora thiago falando de frankenstein entro nos teus lábios observo cautelosa a flor que se abre entre meus dedos toco a carne da tua boca des...