quinta-feira, 23 de maio de 2024

uma fome que não cabia em mim
a tudo que me oferecias dizia sim
cada pedaço agarrava com as mãos
sujas de terra e pele as unhas
temperavam o mel que de ti escorria
te comia com os dentes e a língua
percorria a mesa atrás de migalhinhas
algo de ti que me alimentaria ainda
mais um pedaço um gole um punhado
um punhado um punhado um punhal
fui te fatiando inteira cega não percebi
tudo o que eras cabia perfeitamente aqui
na palma lambuzada das minhas mãos
: sobrava de ti e ainda faltava em mim

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na academia

a frieza da palavra me toma como uma lâmina de ferro gelado parece vidro porque é frágil mas me permeia como as árvores o vento