segunda-feira, 11 de setembro de 2023

a chuva torturava o asfalto
o cimento da calçada
e a velha cadeira na varanda
o vapor subia e o teu corpo
era o último recanto quente
a tarde-ventre de repente feita noite
e só teu corpo luzia quase neon
teu prazer era tamanho
pareceria até artificial
mas olhos nus são experientes
veem na tua carne a vitalidade
que pulsa e é molhada
vem em enxurradas

teu corpo tormentava o asfalto
as janelas fechadas
as cortinas semiabertas
os olhos cobertos do teu prazer
teu corpo tormenta do céu
cada trovoada um gemido
teu corpo tormentava as nuvens
que corriam em tua direção
pra ser Uma contigo no prazer
teu corpo a tortura última
a pequena morte úmida

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