domingo, 13 de dezembro de 2020

perde-se o tempo inteiro a noção do tempo
que escorre lento entre nossos dedos sebentos
de quem não conhece mais o sabor da terra
a textura das minhocas e das folhas quebrantes
de quem não sente a brisa quente entre os cabelos
e que da luz vê apenas a sombra lancinante
do que ouve apenas uma nuance do que se diz
e quando olha pela janela é apenas mais janelas
e fraturas na estrutura dos prédios que se vê
perde-se o tempo o tempo inteiro e a noção
de que há algo a ser perdido ainda persiste
como uma quimera que se manifesta entre
os vãos do chão de cerâmica já tão velhos
por entre os quais não nasce sequer um musgo
que já é um tipo de vida: reconhecidamente
desconhecida entre as paredes quentes de sol
e de concreto e antes fosse barro batido
algo que lembre outra vez a mudança
que o tempo permite mas que hoje
sente-se perdido

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