terça-feira, 17 de março de 2020

o estado das coisas

um homem abre a janela
como quem toca o amor a primeira vez
contempla o mar em fúria
que se agita desde o horizonte em fuga
e resolve aqui se quebrar
a água invadindo para além da praia
quem lhe poderá salvar desta lembrança
impregnada na memória como
areia que se torna vidro
o homem abre a janela
e pela segunda vez vê
a janela abrir-se
diante de si
o mar a rebentar-se
com a mesma lenta
violência da primeira
vez, que se repete
abre a janela e vê
simplesmente
que é o que se pode fazer
quando o mar põe-se
a rebentar-se
em você

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na academia

a frieza da palavra me toma como uma lâmina de ferro gelado parece vidro porque é frágil mas me permeia como as árvores o vento