sábado, 29 de setembro de 2018

Corpo estelar, de Fabio Pusterla

Corpo stellare de Fabio Pusterla

Me segues com um pensamento, és um pensamento
que não devo nem mesmo pensar, como um arrepio
me chamuscas suave a pele, moves os olhos
para um ponto claro de luz. És uma lembrança
perdida e luminosa, és o meu sonho
sem sonho e sem lembranças, a porta que se fecha
e se abre sobre a corrente de um rio impetuoso. És uma coisa
que nenhuma palavra pode dizer e que em cada palavra
ressoa como o eco de um lento suspiro, és o meu vento
de folhas e primaveras, a voz que chama
de um lugar que não sei e reconheço que é meu.
És o uivo de um lobo, a voz do cervo
vivo e mortalmente ferido. O meu corpo estelar.

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na academia

a frieza da palavra me toma como uma lâmina de ferro gelado parece vidro porque é frágil mas me permeia como as árvores o vento